Banho de Graca
Ontem foi um dia realmente difícil, um dia daqueles. O trabalho estava pegado, trabalhei até as 23:00, e ainda por cima eu moro longe do trabalho. Durante o caminho eu fui pensando no banho quentinho e relaxante que eu tomaria quando chegasse em casa.
O show de Truman e a Religiosidade
Mês passado eu estava passando os canais na televisão e me deparei com esse filme “O Show de Truman”. O show de Truman é um filme de 1998, eu o assisti na época do lançamento e depois nunca mais tinha visto (isso prova que estou ficando velho).
#006 - Jesus e Nicodemos
Daqui para frente Jesus terá uma série de encontros onde seu objetivo principal será expor os corações das pessoas. E ele começa essa série se encontrando com Nicodemos e durante esse encontro Jesus nos ensina sobre o novo nascimento, nascimento esse que vem do Espírito e não da carne.
#005 - Jesus no Templo
Jesus expulsa os mercadores que estavam no templo, fazendo da graça de Deus um comércio. Nem parece que isso foi escrito a dois mil anos atrás. Jesus muda a visão deles de templo e de graça.
Força na peruca
Moda Evangelica

No ano de 2004, eu ainda fazia seminário, e estagiava na Primeira Igreja Batista em Mogi Guaçu, uma cidade do interior de São Paulo. E me espantei quando um dia, andando pela rua, encontrei uma loja de roupas evangélicas. Algumas perguntas me surgiram quando vi tal loja: como deve ser uma roupa evangélica? Temos que nos vestir com essa roupa? O que ela tem de diferente? Será que ela é ungida?
De lá para cá as coisas só pioraram. E semana passada eu vi uma reportagem que um amigo compartilhou no Facebook, falando sobre como tinha crescido e quanto estava se tornando lucrativa a moda evangélica, veja (aqui). E as mesmas perguntas voltaram a me incomodar.
O povo vive uma carência muito grande símbolos, de coisas que dêem a impressão de santidade e de dever cumprido. Por isso, esse tipo de coisa cresce no nosso país, moda evangélica, toalhinha ungida do apóstolo, o copo d'água e etc.
Vamos dar uma olhada nessas perguntas e, biblicamente, tentar respondê-las:
1. Como deve ser a roupa evangélica?
Muitos dirão que para o homem, terno e gravata e para mulheres, saião, coque no cabelo e uma blusa cobrindo praticamente tudo. Mas a verdade é que não existe roupa evangélica, roupa é roupa, evangélico ou não, santo ou não, é a pessoa que está vestindo a roupa.
2. Temos que nos vestir com essa roupa?
Não com esse tipo de roupa que as pessoas pensam, precisamos estar vestidos com decência como a Palavra nos ensina "Da mesma forma, quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência e discrição, não se adornando com tranças e com ouro, nem com pérolas ou com roupas caras, mas com boas obras, como convém a mulheres que declaram adorar a Deus" (2Tm 2.9)
3. O que ela tem de diferente?
Na sua essência nada, porque o que o Senhor está preocupado não é com a roupa mas com o seu coração "não considere sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração" (1Sm 16.7)
4. Será que ela é ungida?
Não, o único realmente ungido é o nosso Senhor Jesus Cristo. A própria palavra "Cristo" significa "ungido", Ele, Jesus, é o único verdadeiramente ungido "Levantaram-se os reis da terra, e as autoridade ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido" (At 4.26)
Portanto meus irmãos, não se enganem, não existe roupa evangélica, existe sim um coração quebrantado que se veste decentemente para agradar o nosso Senhor e mestre Jesus Cristo.
Que, na nova coleção, a moda evangélica traga de volta o verdadeiro evangelho e seus desdobramentos, que a tanto, para esses, saiu de moda.
Por seu Reino de amor.
Rodrigo Rezende
NÃO MEXAM NO MEU QUARTERÃO!

Essa semana eu assisti a uma nova propagando do McDonalds onde era apresentado um de seus sanduiches mais antigos, o quarterão. A propaganda é bem interessante, se você ainda não viu veja (aqui). Mas o que mais me chamou atenção é como essa propaganda se parece com a visão de muitos na igreja hoje em dia.
A ideia da propaganda é que tudo mudou, música mudou, palavra mudou, pai mudou, mas NÃO MEXAM NO MEU QUARTERÃO. Fazendo um paralelo com a visão de muitos hoje, a propaganda seria assim: “Cabelo mudou, óculos mudou, palavra mudou, pai mudou, mas NÃO MEXAM NA MINHA IGREJA”.
Muitos vivem entendendo que o seu chamado é a manutenção da estrutura da igreja do jeito que eles conheceram. E se, durante toda a vida deles, a igreja não mudar em nada eles se sentam rejubilosos com um sorriso no rosto e o sentimento de dever cumprido.
Eu não estou falando só das igrejas históricas, existem muitas igrejas novas que já assumiram os seus tradicionalismos, mesmo sem cara de tradicionalismos, e lutam com unhas e dentes pela manutenção de suas estruturas, por mais descoladas que pareçam.
Certa vez escutei uma definição de tradicionalismo e tradição muito interessante: “Tradição é a fé viva dos que morreram, e o tradicionalismo é a fé morta dos que vivem” (Jaroslav Pelikan). Ou seja, devemos sim manter a tradição bíblica, dos apóstolos, não podemos nem devemos mudar nada daquilo que nos foi revelado na Palavra. Mas aquelas coisas que fazemos e que não foram claramente descritas na Palavra podemos sim mudar, afinal o mundo está em constante mudança.
“Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.1-2)
Devemos estar preparados para não nos amoldarmos pelo padrão do mundo, porque o nosso padrão é o Senhor e a sua Palavra, mas precisamos renovar a nossa mente para que, conhecendo o nosso tempo, possamos comunicar as verdades eternas de maneira relevante.
Não é interessante perceber que não existe meio versículo na Palavra que mostra como era a liturgia da igreja primitiva, acredito que foi de propósito que o Senhor omitiu isso, se não estaríamos fazendo igual eles fizeram até hoje. Essa omissão é porque o Senhor sabia das mudanças que aconteceriam no mundo e não queria que uma liturgia engessada fosse empecilho para o crescimento do evangelho.
“Ninguém põe vinho novo em odres velhos, pois o vinho novo romperá os odres; entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão. Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos e ambos se conservam. E ninguém, tendo bebido o vinho velho, prefere o novo; porque diz: o velho é excelente.” (Lc 5.37-39)
O vinho novo ainda está em fermentação, continua em expansão, o odre velho já dilatou tudo o que tinha para dilatar, então, quando se coloca vinho novo em odre velho ele expande e se rompe. O Senhor Jesus estava ilustrando a mentalidade dos fariseus e escribas, que já tinham desenvolvido um sistema em suas cabeças e nada poderia fugir a esse sistema pré-definido porque não tinha mais para onde expandir.
O evangelho do Senhor é o vinho novo, em constante expansão, mas que nunca perde sua essência, e só pode ser compreendido por odres novos, o que não está ligado à idade cronológica, mas sim a uma mente renovada no Senhor.
Se a igreja são aqueles que creram no evangelho do Senhor Jesus, e essas pessoas estão mudando, a igreja também muda, a forma muda, não o conteúdo.
Que possamos renovar a nossa mente dia após dia no Senhor e desfrutar do vinho novo em nossas vidas.
Por seu Reino de mudanças!
Rodrigo Rezende
Deus nos prova?

Se fizermos essa pergunta hoje, encontraremos respostas diferentes. Mas se fizéssemos essa pergunta no tempo em que a Bíblia foi escrita, só existiria uma única e unanime resposta: SIM.
Mas fazer tal afirmação hoje é quase um pecado. Como um Deus bom, pode colocar alguém em prova. Na verdade, vivemos em um país onde cada vez menos valor é dado aos estudos, então só em falar a palavra “prova” as pessoas já tremem, mesmo sem perceber que aqui nos referimos a outra aplicação da palavra “prova”, que também não deixa de ser uma prova.
Porque, acreditar que Deus nos prova se tornou tão apavorante para as pessoas? Acredito que é por causa do evangelho triunfalista que permeia o evangelicalismo brasileiro. Nesse tipo de evangelho quem prova e satanás e não o Senhor.
Mas deixa eu te dizer algumas coisas: Deus prova sim, não porque é um Deus masoquista, mas porque ele usa a prova para trabalhar nas nossas vidas.
Vou listar alguns motivos pelos quais passamos pela prova:
1. Para saber se ele é o primeiro lugar nas nossas vidas – Esse motivo é claro quando vemos a história de Abraão e o pedido de Deus para sacrificar seu único filho Isaque (Gn 22.1).
2. Para saber se estamos caminhando em suas leis – É esse o motivo da prova do Senhor com o povo de Israel no deserto quando mandou o maná (Ex 16.4).
3. Para saber se o amamos de todo o coração – “Se aparecer entre vocês um profeta ou alguém que faz predições por meio de sonhos e lhes anunciar um sinal miraculoso ou um prodígio, e se o sinal ou prodígio de que ele falou acontecer, e ele disser: Vamos seguir outros deuses que vocês não conhecem e vamos adorá-los, não dêem ouvidos às palavras daquele profeta ou sonhador. O Senhor, o seu Deus, está pondo vocês à prova para ver se o amam de todo o coração e de toda a alma.” (Dt 13.1-3)
4. Para a instrução – O Senhor deixou algumas nações para, por elas, provar Israel, isto é, para lhes ensinar a guerra (Jz 3.1-2).
5. Para saber quem realmente quer segui-lo – O Senhor Jesus provou alguns que diziam querer segui-lo e disse: “ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lc 9.62)
Mas será que Deus precisa da prova para saber algo? Será que na sua onisciência ele já não sabe aqueles que o amam, se ele é ou não o primeiro lugar, aqueles que guardam a sua lei? É claro que sabe. Então, a prova não é para Deus, mas para nos mostrar quem Deus é e o seu amor por nós.
Não acredite que toda prova vem de satanás, e passe pela prova dando glória a Deus, como a música diz.
A prova (provação) é uma prova (exame) para que através dela Deus nos prove (demonstrar) que é Deus, para que possamos provar (experimentar) que Ele é bom.
Por seu Reino, que também é um reino de prova.
Rodrigo Rezende
O verdadeiro Jejum

Ontem eu estava assistindo a minissérie, numa emissora de TV, que conta a história do rei Davi. Tirando os acréscimos, coisas que a Bíblia não relata, é até interessante. Ontem foi o episódio do nascimento e morte do filho de Davi com Bateseba. E quando Davi soube da doença do filho “implorou a Deus em favor da criança. Ele JEJUOU e, entrando em casa, passou a noite deitado no chão.” (2Sm 12.16)
Existem coisas deturpadas em nossos dias, mas acredito que existam poucas tão deturpadas como o jejum. Então, para começo de conversa vamos ver o que o jejum não é:
1. O jejum não é garantia de que Deus vai me dar o que eu quero.
Davi jejuou, clamou, mas sete dias depois seu filho morreu (2Sm 12.18).
2. O jejum não é uma greve de fome.
Eu não mudo Deus, ele é imutável. Eu não posso constranger Deus com uma greve de fome para levá-lo a fazer aquilo que Ele não quer fazer (Nm 23.19).
3. O jejum não é sinal de vida de relacionamento com Deus.
A palavra de Deus deixa isso bem claro quando mostra que os fariseus jejuavam (Mt 9.14) e esses mesmos fariseus mandaram matar Jesus (Mt 12.14).
Então o que é o jejum? Acredito que a história da morte do filho de Davi nos mostra realmente o que é o jejum.
A palavra de Deus mostra que Davi clamou e jejuou por sete dias em favor da criança, o desejo de Davi era que o filho não morresse. Nesses dias ele não ouviu ninguém, só clamava a Deus. Mas, depois desses sete dias a criança morreu.
Depois de ouvir isso, Davi se levantou, se lavou, se perfumou, trocou de roupa e entrou no santuário do Senhor e o adorou. O verdadeiro jejum nos aproxima de Deus para que possamos nos conformar com a sua vontade, sabendo que Ele sempre tem o melhor, mesmo que não seja aquilo que queremos.
Davi sabia quem Deus era e quem ele era, e quando perguntaram para ele o porquê dessa atitude, já que o normal seria o lamento depois da morte e não o se conformar, ele respondeu: “enquanto a criança ainda estava viva, jejuei e chorei. Eu pensava: quem sabe? Talvez o Senhor tenha misericórdia de mim e deixe a criança viver.” (2Sm 12.22)
Ele sabia que Deus tinha o melhor e que Ele tem misericórdia de quem Ele quer ter misericórdia (Rm 9.15). O jejum conformou Davi à vontade de Deus. “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28)
Que relembremos essa prática que está um pouco esquecida, mas da maneira correta, não para conseguir o que quero, mas para mortificar a minha carne, e assim, conseguir me conformar à vontade de Deus.
Por seu Reino de misericórdia!
Rodrigo Rezende
5 perguntas sobre o perdao - Parte 4

4. Por que devo perdoar o meu irmão?
Por incrível que pareça, essa é uma pergunta muito comum no meio evangélico. Principalmente por existir muitos irmãos que não falam uns com os outros. Mas isso não é novo, Paulo mesmo enfrentou isso, e tentou apaziguar um caso desses: “O que eu rogo a Evódia e também a Síntique é que vivam em harmonia no Senhor” (Fp 4.2)
O motivo do perdão ao meu irmão é o perdão que recebo de Deus “Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.” (Cl 3.13). O alvo é que possamos estar vinculados uns aos outros pelo amor, que é o elo perfeito.
Quantas vezes devo perdoar o meu irmão? 70 vezes 7, foi a resposta que ouvi, quando preguei sobre esse assunto. Não apenas 490 vezes, mas toda vez. Foi isso que o Senhor Jesus quis dizer quando deu essa resposta a Pedro (Mt 18.21-22). Toda vez que o meu irmão errar comigo devo perdoá-lo.
O que precisa ser desmistificado é a celebre frase: eu tenho que sentir para perdoar, se não, serei um hipócrita. A bíblia não fala, em lugar nenhum, que devemos ter algum sentimento específico para perdoar. Ela fala do amor, mas esse não vem de nós, vem de Deus (1Jo 4.7-8). A bíblia fala de ordem, de obediência e não de sentimento: “perdoem-se”. Não é um pedido, nem um apelo, é uma ordem.
Isso me lembra da história de uma mulher e a sua sogra:
Uma certa mulher morava com sua sogra. Elas não conseguiam se entender de jeito nenhum. Por isso, ela procurou um sábio de sua cidade, e pediu para que ele lhe desse um veneno, para que ela matasse a sogra, pois não a aguentava mais.
O sábio saiu, e voltou com um pequeno frasco nas mãos, e disse:
- Ponha um pouco desse veneno todo dia na comida da sua sogra. Mas, cuidado! Trate-a bem, fazendo a comida preferida dela e etc., para que ninguém desconfie de você.
No dia seguinte ela começou seu plano. De principio a sogra estranhou, mas por incrível que pareça, depois de um tempo começaram a se dar bem.
Seis meses depois a mulher volta, desesperada, ao sábio perguntando como ela poderia desfazer o processo de morte da sogra, porque agora elas se amavam.
O sábio olha para ela e diz:
- Não se preocupe, o que eu te dei era só um frasco de tempero, o que eu queria te mostrar é que Deus pode restaurar o seu relacionamento com sua sogra, só precisava que alguém obedecesse.
Por que é tão difícil perdoar o meu irmão? Vou sugerir duas respostas para essa pergunta:
1. Porque me valorizo de mais – me acho tão certo, que, para mim, é um absurdo a pessoa ter errado comigo: “ela não poderia ter feito isso comigo, eu nunca faria com ela o que ela fez comigo”. A bíblia nos aconselha a não termos um elevado conceito sobre nós mesmos “Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrario, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu.” (Rm 12.3)
2. Porque ainda não entendi o perdão de Deus – Quando não consigo alcançar o quão pecador sou e quão amoroso Deus é em me perdoar, tenho dificuldade em ter essa mesma atitude com o meu irmão “Deus, que é rico em misericórdia, , pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões – pela graça vocês são salvos.” (Ef 2.4)
Que possamos entender o perdão de Deus por nós, e, tendo esse perdão como base, perdoarmos nossos irmãos.
Por seu Reino de perdão.
Rodrigo Rezende
5 perguntas sobre o perdao - Parte 3

3. Será que eu preciso me perdoar?
Você precisa se perdoar, essa é uma frase que escutamos corriqueiramente, mas será que essa frase é verdadeira? Talvez você não saiba, mas não existe nem meio versículo que fala sobre se perdoar. Tem aqueles versículos que falam sobre perdoar ao próximo, outros que falam sobre o perdão de Deus por nós, mas nenhum que fala sobre se perdoar.
Pela frequência com que ouvimos essa frase, era de se esperar que existisse pelo menos um versículo falando sobre o assunto, mas não existe nada, a bíblia não fala em momento nenhum sobre se perdoar; porque essa não é uma afirmação verdadeira. Ninguém precisa se perdoar, precisamos sim, aceitar o perdão de Deus.
Vamos refletir sobre o assunto. Para acontecer o perdão, é necessário ter um ofensor e um ofendido. Como uma pessoa pode ser ao mesmo tempo, o ofensor e o ofendido? Só se ela tiver dupla personalidade (se é que isso existe). Como no caso do “Smigol” personagem da trilogia O Senhor dos Anéis.
Acredito que a expressão correta é: preciso aceitar o perdão de Deus na minha vida.
Geralmente, quando se fala em perdoar a si mesmo, é porque existem coisas na vida da pessoa que ainda o acusam, que ainda o assombram. É importante lembrarmos que satanás é o acusador (Ap 12.10), é ele que está preocupado, e trabalhando, para que continuemos nos sentindo acusados por pecados que, arrependidos, confessamos.
Deus não se lembra mais dos nossos pecados “Quem é comparável a ti, ó Deus, que perdoas o pecado e esqueces a transgressão do remanescente da sua herança? Tu, que não permaneces irado para sempre, mas tens prazer em mostrar amor. De novo terás compaixão nós; pisará as nossas maldades e atirarás todas as nossos pecados nas profundezas do mar.” (Mq 7.18-19)
Deus não se lembra, mas eu me lembro, e faço questão de carregar esse fardo, pagar esse preço. Isso me traz a memória a história da velha e o saco:
Um homem viajando de carroça oferece carona a uma senhora bem idosa que viajava à pé, carregando nas costas um pesado saco. A mulher agradece imensamente o favor, sobe na carroça, mas, mantém o saco nas costas. Então, o homem lhe diz: - Senhora, coloque o saco ali, naquele canto da carroça. A mulher, não querendo incomodar, responde: Moço, o senhor já está me ajudando tanto me dando carona, imagina seu eu vou abusar da sua bondade? Deixe que eu mesma levo o saco.
Todo pecado é, primeiramente, cometido contra Deus. E Deus já nos perdoou, não porque somos bonzinhos, mas porque “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1Jo 4.10)
Quando confessamos os nossos pecados, somos declarados puros “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1Jo 1.9)
Então, pare de querer se perdoar e aceite o perdão de Deus na sua vida. Pare de ser assombrado por erros passados; porque você pode até se lembrar do que fez, mas, se você pediu perdão de coração, Deus não se lembra mais.
Aceite o perdão de Deus, não porque você merecesse, mas porque ele quis nos perdoar, enviando seu Filho para pagar o preço.
Por seu Reino de justiça e aceitação.
Rodrigo Rezende5 perguntas sobre o perdao - Parte 2

2. Como sou perdoado?
Pedindo perdão, seria a resposta de muitos. Mas o que foi feito para que o Senhor aceitasse o meu perdão? Se não existe nada em mim que o agrada, como a sua ira foi apaziguada?
Vamos voltar ao Antigo Testamento. Como acontecia o perdão dos pecados no Antigo Testamento? Através do sacrifício de um animal, alguém precisava pagar com a vida, e sobrava para o pobre animalzinho.
Mas será que só o sacrifício perdoava o indivíduo? Acredito que não. Deixa eu explicar, o sacrifício sem arrependimento não perdoava ninguém, o sacrifício sem a esperança no que o sacrifício significava não adiantava, era vazio.
Olha o que Samuel disse a Saul: “Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor que o sacrifício, e a submissão é melhor que a gordura de carneiros” (1Sm 15.22). E olha que o Senhor Jesus disse aos fariseus: “Vão aprender o que significa isto: Desejo misericórdia, não sacrifício. Pois eu não vim chamar justos, mas pecadores.” (Mt 9.13).
Cristo é o cordeiro definitivo que pagou a divida de uma vez por todas (Jo 1.29), ele é a propiciação definitiva pelos nossos pecados “Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça.” (Rm 3.25)
Mas o que é propiciação? Literalmente, a ideia da propiciação é de aplacar ou acalmar a ira de Deus. Ele mesmo providenciou uma maneira de apaziguar a sua ira, e essa maneira se chama Cristo Jesus, o filho de Deus, o cordeiro imaculado. Por que foi necessário Cristo morrer? Porque “sem derramamento de sangue não há perdão.” (Hb 9.21).
Se Cristo morreu para apaziguar a ira de Deus significa que Deus é um Deus irado, mas isso não vai contra o fato de que ele é amor? Claro que não. A ira e o amor de Deus funcionam em perfeita harmonia. Vou dar um exemplo: Você ama os bebês? Se você ama os bebês, você odeia o aborto. Você ama os judeus? Se sim, você vai odiar o holocausto. Você ama os negros? Se sim, você vai odiar a escravidão. Se Deus ama a justiça vai odiar o pecado.
João nos mostra o amor e a ira de Deus funcionando juntos “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1Jo 4.10). Ele tanto é amor que providenciou uma maneira de apaziguar a sua ira. É como se com uma mão ele segurasse sua ira e com a outra chamasse os pecadores ao arrependimento.
Essa afirmação não deveria gerar em mim estranheza, mas sim alegria, em saber que sirvo um Deus justo, e que esse Deus justo me ama ao ponto de sacrificar o próprio filho para restaurar o relacionamento comigo.
Será que temos nos alegrado constantemente no perdão que temos em Cristo Jesus? Será que temos vivido vidas de gratidão a ele, por ter morrido para apaziguar uma ira que não era contra ele, mas contra nós?
Que vivamos vidas agradecidas a Cristo. Não querendo pagar o que não se pode pagar, mas aceitando o que já foi pago.
Por seu Reino de perdão!
Rodrigo Rezende
5 perguntas sobre o perdao - Parte 1

1. Do que preciso ser perdoado?
Essa é uma pergunta simples, mas que na maioria das vezes não consegue ser respondida facilmente. Faça o teste, pergunte a alguém na sua igreja do que ela foi perdoada e veja o que ela vai responder. Provavelmente responderá dos seus pecados. É claro que fomos perdoados do nosso pecado, mas será que é só isso?
Eu não fui só perdoado dos meus pecados eu fui perdoado do simples fato de existir, de respirar sendo o pecador que sou. Você não entende isso? Talvez porque ainda não conhece quem você é de verdade. Bom, vamos começar do começo.
Adão, nosso pai, nosso representante, se rebelou contra Deus, pecou e assim quebrou o relacionamento que existia entre Deus e o homem. Não foi simplesmente uma quebra de relacionamento, como se Deus dissesse: estou de mal e não quero mais falar com você. A entrada do pecado em sua vida despertou a ira que existe em Deus.
Por muitas vezes eu usei a frase: Deus odeia o pecado, mas ama o pecador. Deus ama o pecador sim, mas o odeia quando este comete algum pecado “Os arrogantes não são aceitos na tua presença; odeias todos os que praticam o mal.” (Sl 5.5). Deus é santo e todo pecado se torna uma ofensa ao seu caráter santo. “Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça.” (Rm 1.18). Todo pecado é primeiramente cometido contra Deus.
Como a Palavra de Deus diz que “não há nenhum justo, nem um sequer” (Rm 3.10), o simples fato da minha existência já é uma ofensa contra Deus. Eu preciso ser perdoado por existir.
Também preciso ser perdoado da minha maneira vazia de viver “Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados.” (1Pe 1.18). Como existem vidas vazias, vazias de Deus, vazias de sentido, buscando com todas as forças ter coisas na tentativa de preencher esse vazio. Existem pessoas vazias nas igrejas também, "justificadas" por frequentar culto, dar o dízimo ou ter o nome num rol de membros.
Por muito tempo eu dizia ser pecador, mas não me arrependia de nada, dizia a Deus: perdoa os meus pecados, mas isso não me trazia dor, choro, vergonha, meu coração já estava cauterizado, eu não lutava contra isso.
Deus quer restaurar esse relacionamento, Deus quer se relacionar com pecadores, mas pecadores arrependidos, pecadores humilhados, conscientes da sua pequenez diante da grandeza de Deus.
Será que consigo entender que o fato de respirar já é uma ofensa a Deus e que careço constantemente do seu perdão? E que não posso fazer nada para merecer tal perdão?
Qual foi a última vez que você entrou no quarto, em secreto, e chorou com o Pai pedindo perdão, por algum pecado que cometeu?
Qual foi a última vez que, a noite na hora de dormir, você agradeceu a Deus porque naquele dia você conseguiu vencer algum pecado que é sua luta pessoal? Ou será que você não tem nenhum?
Que vivamos nesse reino de amor e perdão, sabendo que o simples fato de existir é porque fomos perdoados através da graça de Deus nas nossas vidas.
Continua...
Por seu Reino e seu Rei que é perdão.
Rodrigo Rezende
Sobre mim
- Rodrigo Rezende
- Um pecador que vive o Reino de Deus, através da graça de Cristo.
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