Banho de Graca

Ontem foi um dia realmente difícil, um dia daqueles. O trabalho estava pegado, trabalhei até as 23:00, e ainda por cima eu moro longe do trabalho. Durante o caminho eu fui pensando no banho quentinho e relaxante que eu tomaria quando chegasse em casa.

O show de Truman e a Religiosidade

Mês passado eu estava passando os canais na televisão e me deparei com esse filme “O Show de Truman”. O show de Truman é um filme de 1998, eu o assisti na época do lançamento e depois nunca mais tinha visto (isso prova que estou ficando velho).

#006 - Jesus e Nicodemos

Daqui para frente Jesus terá uma série de encontros onde seu objetivo principal será expor os corações das pessoas. E ele começa essa série se encontrando com Nicodemos e durante esse encontro Jesus nos ensina sobre o novo nascimento, nascimento esse que vem do Espírito e não da carne.

#005 - Jesus no Templo

Jesus expulsa os mercadores que estavam no templo, fazendo da graça de Deus um comércio. Nem parece que isso foi escrito a dois mil anos atrás. Jesus muda a visão deles de templo e de graça.

15 TESES SOBRE A VERDADEIRA IGREJA - 6


6. Do sistema de um pastor único para a estrutura de equipe

Quando se lê a seguinte frase “do sistema de um pastor único para a estrutura de equipe” a primeira coisa que vem a mente é uma igreja com uma equipe de pastores. Hoje se tem pastor para tudo, pastor de jovens, pastor da terceira idade, pastor de adolescentes, pastor de crianças, pastor de música, pastor do multimídia (é verdade), pastor de pregação, pastor de visitação e assim por diante, a lista é enorme. Não acho isso errado, mas a idéia deste artigo é um pouco diferente disso.

Ao olhar para a realidade da igreja no meu país, na minha cidade, meu coração se enche de tristeza. Se o meu fica assim imagina o de Deus. Milhões de denominações, sendo usadas como desculpa para não sermos um só corpo. Pastores que não falam com outros pastores, comunidades brigadas, irmãos dentro da mesma comunidade que não se falam. O corpo de Cristo nas nossas cidades está machucado e dividido.

Quando falo de estrutura de equipe são os pastores se suportando uns aos outros. Não suportando no sentido de “Ah que droga, tenho que suportar esse pastor em amor”, mas no sentido de dar suporte, dar base para que outros possam realizar seus ministérios. Vivemos sem amor e nos perguntamos: por que a nossa cidade não está sendo impactada pelo evangelho? “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (Jo 13.35).

Nós pastores precisamos acordar e perceber que somos apenas mais uma peça no quebra-cabeça, não o quebra-cabeça. Precisamos entender que o nosso ministério junto com os apóstolos, profetas, evangelistas e mestres é capacitar os santos para o serviço, para que o corpo de Cristo seja edificado “E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado.” (Ef 4.11-12).

Precisamos entender que existe somente uma igreja na cidade, como vemos na Bíblia, e que precisamos uns dos outros para edificação mútua dessa igreja. A palavra de Deus nos diz que na igreja da cidade estão todos os dons “Porque o testemunho de Cristo foi confirmado entre vocês, de modo que não lhes falta nenhum dom espiritual, enquanto vocês esperam que o nosso Senhor Jesus Cristo seja revelado” (1Co 1.6-7). Portanto precisa existir uma equipe de pastores na cidade que se amem, que parem de buscar seus próprios interesses, e procurem a edificação dos santos.

“Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união! É como o óleo precioso derramado sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Arão, até a gola de suas vestes. É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor concede a benção da vida para sempre” (Sl 133), Ali no Hermom e ali na COMUNHÃO DOS IRMÃOS, o Senhor concede a benção da vida para sempre.
Jesus, quando orou ao Pai, clamou para que fossemos um “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam UM, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam UM, assim como nós somos UM: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena UNIDADE, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste.” (Jo 17.20-23)

Que possamos ser uma equipe de pastores do único corpo de Cristo, trabalhando para o crescimento dos santos.

Rodrigo Rezende

Igreja




Igreja é um lugar onde o Pai se sente em casa,

Onde é adorado pelo que é e não pelo que pode,

Onde é obedecido de coração e não por constrangimento,

Onde o seu reino é manifesto no amor, na solidariedade, na fraternidade e serviço ao outro,

Onde o ser humano se perceba em casa e seja a casa de Deus e do outro,

Onde Jesus Cristo é o modelo, o desejo e o caminho,

Onde a graça é o ambiente, o perdão a base do relacionamento e o amor a sua cimentação.

Onde o Espírito Santo está alegre pela liberdade que desfruta para gerar e expressar a Cristo,

Onde Ele vê os seus dons serem usados para edificar, provocar alegria e servir ao próximo,

Onde todos andam abraçados,

Onde a dor de um é a dor de todos,

Onde ninguém está só,

Onde todos têm acesso ao perdão, à cura de suas emoções, à amizade e a ser cada vez mais parecido com Cristo,

Onde os pastores são apenas ovelhas-exemplo e não dominadores dos que lhes foram confiados,

Onde os pastores são vistos como ovelhas-líder e não como funcionários a serem explorados.

Onde não há gente nadando na riqueza enquanto outros chafurdam na miséria,

Onde há equilíbrio, de modo que quem colheu demais não esteja acumulando e quem colheu de menos não esteja passando necessidades.

Enfim, a comunidade do reino de Deus,

Onde aparece a humanidade que a Trindade sonhou,

Onde a cidade encontra paradigmas.

Onde o livro texto é a Bíblia.


Ariovaldo Ramos

A respeito de coisas que eu não posso deixar de saber


Você sabia que foi apenas no ano 190 d.C. que a palavra grega ekklesia, que traduzimos como igreja, foi pela primeira vez utilizada para se referir a um lugar de reuniões dos cristãos? Sabia também que esse lugar de reuniões era uma casa, e não um templo, já que os templos cristãos surgiram apenas no século IV, após a “conversão” de Constantino? Você sabia que os cristãos não chamavam seus lugares de reuniões de templos até pelo menos o século V? Você sabia que o primeiro templo cristão começou a ser construído por Constantino, sob influência de sua mãe Helena, em 327 d.C., às custas de recursos públicos, e sua arquitetura seguia o modelo das basílicas, as sedes governamentais da Grécia e, posteriormente, de Roma, e dos templos pagãos da Síria? Você sabia que as basílicas cristãs foram construídas com uma plataforma elevada acima do nível da congregação e que no centro da plataforma figurava o altar, e à sua frente a cadeira do Bispo, que era chamada de cátedra? Você sabia que o termo ex cathedra significa "desde o trono", numa alusão ao trono do juiz romano, e, por conseguinte, era o lugar mais privilegiado e honroso do templo? Você sabia que o Bispo pregava sentado, ex cathedra, numa posição em que o sol resplandecia em sua face enquanto ele falava à congregação, pois Constantino, mesmo após a sua “conversão” ao Cristianismo, jamais deixou de ser um adorador do deus sol? Você sabia que o atual modelo hierárquico do Cristianismo, que distingue clero e laicato, teve origem e ou foi profundamente afetado pela arquitetura original dos templos do período Constantino?

Você sabia que Jesus não fundou o Cristianismo, e que o que chamamos hoje de Cristianismo é uma construção religiosa humana, feita pelos seguidores de Jesus ao longo de mais de dois mil anos de história? Você sabia que o que chamamos hoje de Cristianismo está profundamente afetado por pelo menos três grandes eras: a era de Constantino, a era da Reforma Protestante e a era dos Avivamentos na Inglaterra e nos Estados Unidos? Você sabia que é praticamente impossível saber a distância que existe entre o que Jesus tinha em mente quando declarou que edificaria a sua ekklesia e o que temos hoje como Cristianismo Católico Romano, Protestante, Ortodoxo, Pentecostal, Neopentecostal e Pseudopentecostal?
Você sabia que os primeiros cristãos se preocuparam em relatar as intenções originais de Jesus com vistas a estender seu movimento até os confins da terra? Você sabia que este relato está registrado no Novo Testamento, mais precisamente nos Evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos? Você sabia que o terceiro evangelho, Evangelho Segundo Lucas, e o livro dos Atos deveriam formar no princípio uma só obra, que hoje chamaríamos de "História das origens cristãs"? Você sabia que os livros foram separados quando os cristãos desejaram possuir os quatro evangelhos num mesmo códice, e que isso aconteceu por volta de 150 d.C.? Você sabia que o título "Atos dos Apóstolos" surgiu nessa época, segundo costume da literatura helenística, que já possuía entre outros os "Atos de Anibal" e os "Atos de Alexandre"?
Nesse emaranhado de coisas que eu não sabia, três coisas eu sei. A primeira é que a crítica que o mundo secular faz ao Cristianismo institucional tem sérios fundamentos, ou como disse Tony Campolo: "Os inimigos estão parcialmente certos". A segunda coisa que sei é que nesta Babel que vem se tornando o movimento evangélico brasileiro, está cada vez mais difícil identificar a essência do Evangelho de Jesus Cristo, nosso Senhor. A terceira coisa que sei é que vale a pena perguntar aos primeiros cristãos o que eles entenderam a respeito de Jesus, sua mensagem, sua proposta de vida e suas intenções originais. Vale a pena voltar à Bíblia. Não há outra fonte segura de informação e formação espiritual, senão a Bíblia Sagrada, especialmente o Novo Testamento.

por Ed René Kivitz

Acorde Igreja

A mais pura verdade, a mais pura e simples verdade, precisamos ouví-la.

Educação começa em casa...




O desenhista argentino Joaquin Salvador Lavado, mundialmente conhecido como o Quino, autor da famosíssima tira “Mafalda” resumiu, em oito quadrinhos, o dilema das mudanças de valores nas sociedades atuais.

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Um chamado para a angústia

Nós precisamos não apenas nos preocuparmos com a igreja. Porque se nos preocuparmos logo depois voltaremos aos nossos afazeres. Precisamos ser batizados em angústia pela igreja de Cristo.

15 TESES SOBRE A VERDADEIRA IGREJA - 5


5. Primeiro a igreja tem de encolher, antes que possa crescer.

Vivemos em uma época de coisas MEGA. Mega shopping, Mega eventos, Mega store e etc. Temos a pré disposição de achar que o maior é melhor, e por algumas vezes realmente é. E com essa mesma mentalidade entendemos a igreja de Cristo. Os pastores mais badalados são os das mega-igrejas, os livros mais lidos são aqueles em que o pastor mostra como a sua igreja cresceu. E então, chegam os vários modelos que conhecemos com seus ícones: Rick Warren – Igreja com propósitos; Bill Hybels – Rede ministerial; David (Paul) Yonggi Cho – Igreja na Coréia (A quarta dimensão); César Castellanos – G12; Márcio Valadão – Igreja da Lagoinha. Não estou criticando os modelos, mas será que a nossa visão não está um pouco distorcida? Será que não precisamos repensar a igreja de Cristo?

A maioria das igrejas cristãs simplesmente são grandes demais para realmente proporcionar espaço para comunhão. As comunidades eclesiais do Novo Testamento eram invariavelmente grupos pequenos, com cerca de 15 a 20 pessoas. Elas se desenvolviam em um ambiente familiar, por isso entendiam as casas como o melhor lugar dessa família (igreja) se desenvolver “Saúdem Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus... Saúdem também a igreja que se reúne na casa deles” (Rm 16.3-5); “Saúdem os irmãos de Laodicéia, bem como Ninfa e a igreja que se reúne em sua casa.” (Cl 4.15); “... a você Filemom, nosso amado cooperador, à irmã Áfia, a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que se reúne com você em sua casa” (Fl 1-2).

O crescimento da igreja não acontecia para cima lotando catedrais, mas para os lados pelo crescimento multiplicativo de amplitude. A igreja primitiva entendia que fruto não era simplesmente um novo convertido, mas fruto era uma nova igreja. As igrejas nos lares se subdividiam quando atingiam o limite orgânico de cerca de 15 a 20 pessoas. Para os primeiros cristãos existia uma igreja só na cidade, a igreja de Cristo em Éfeso, Corinto, Colossos e etc. “à igreja de Deus que está em Corinto...” (1Co 1.2); “Paulo, Silvano e Timóteo à igreja dos tessalonicenses, em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo” (1Ts 1.1); “Depois que esta carta for lida entre vocês, façam que também seja lida na igreja dos laodicenses, e que vocês [colossenses] igualmente leiam a carta de Laodicéia” (Cl 4.16).

Esse crescimento multiplicativo pela base possibilitou aos cristãos que também se congregassem para reuniões celebrativas que atingiam a cidade toda “Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração” (At 2.46); Assim, se TODA igreja se reunir e todos falarem em línguas, e entrarem alguns não instruídos ou descrentes, não dirão que vocês estão loucos?” (1Co 14.23). Eles se reuniam de casa em casa e também em reuniões maiores, que aconteciam com menos freqüência, para celebrar com toda igreja que se reunia na cidade.

Por isso, entendo que a igreja em nossos dias precisa primeiro encolher para depois crescer. Isso é tão natural que um enorme número de igrejas tem criado células, pequenos grupos, grupo de comunhão, seja lá qual for o nome, a única diferença é que nesse sistema as células não são entendidas como igrejas, como acontecia na igreja primitiva.

Para a maioria das igrejas significará uma libertação o fato de finalmente poderem ser o que muitas já são numericamente: igrejas nos lares. Não seria muito mais prático orientar-se na direção contrária e tornar-se menores, formar algumas igrejas nos lares e “crescer para baixo”, ao invés de se debater durante anos para crescer em tamanho? Dessa maneira a igreja poderia tornar-se não maior, mas mais numerosa – e exatamente assim atingir, no final das contas, o seu verdadeiro alvo, porque assim mais pessoas poderão ser integradas na igreja.

“A igreja tem de se tornar menor, antes que possa tornar-se significativamente mais forte” Elton Trueblood.

Amazing Grace

Chorei muito ao ver este video, nos mostra o poder transformador da graça do Senhor. Continuemos no Caminho com o Senhor.

10 verdades que pregamos sobre 10 mentiras que praticamos


Certo pastor estava buscando levar a igreja à prática da comunhão e da devoção experimentadas pela igreja primitiva (conforme descrita em Atos dos Apóstolos). Logo recebeu um comunicado de seus superiores: “Estamos preocupados com a forma como você vem conduzindo seu trabalho ministerial. Você foi designado para tomar conta dessa igreja e a fez retroceder, pelo menos, uns 40 anos! O quê está acontecendo?”. O pastor respondeu: “40 anos? Pois então lamento muitíssimo! Minha intenção era fazê-la retroceder uns 2.000!”.

Atualmente temos acompanhado um retrocesso da vivência e prática cristãs. Mas, infelizmente, não é um retrocesso como o da introdução acima. Algumas das verdades cristãs têm sido negadas na prática. Como diz Caio Fábio, muitos de nós somos “crentes teóricos, entretanto, ateus práticos”. Segue-se uma pequena lista dos top 10 das verdades que pregamos (na teoria) acerca das mentiras que vivemos (na prática):

I - “SÓ JESUS SALVA” é o que dizemos crer. Mas o que ouvimos dizer é que só é salvo, salvo mesmo, quem é freqüente à igreja, quem dá o dízimo direitinho, quem toma a santa ceia, quem ganha almas para Jesus, quem fala língua estranha, quem tem unção, quem tem poder, quem é batizado, quem se livrou de todo vício, quem está com a vida no altar (seja lá o que isso signifique), quem fez o Encontro, etc e etc. Resumindo: em nosso conceito de salvação, só é salvo aquele que não me escandaliza.

II - “DIANTE DE DEUS, TODOS OS PECADOS SÃO IGUAIS” é o que dizemos crer. Mas, diante da igreja, o único pecado é fazer sexo fora do casamento. Quando um irmão é pego em adultério, é comum ouvirmos o comentário: “O irmão fulano caiu...”. Ou seja, adultério é visto como uma “queda”. Mas a fofoca que leva a notícia do adultério de ouvido a ouvido é permitida (embora, na Bíblia haja mais referências ao mexeriqueiro do que ao adúltero). Estar com o nome ‘sujo’ no SPC é permitido, embora a Bíblia condene o endividamento. Ser glutão é permitido, a ‘panelinha’ é permitida, sonegar imposto de renda é permitido (embora seja mentira e roubo), comprar produto pirata é permitido (embora seja crime) construir igreja em terreno público é permitido (embora seja invasão).

III - “AUTOFLAGELAÇÃO É SACRIFÍCIO DE TOLO”, é o que dizemos crer. Condenamos o sujeito que faz procissão de joelhos, que sobe escadarias para pagar promessas. Ainda assim praticamos um masoquismo espiritual que se expõe em frases do tipo: “Chora que Deus responde”; “a hora em que seu estômago está doendo mais é a hora em que Deus está recebendo seu jejum”; “quando for orar de madrugada, tem que sair da cama quentinha e ir para o chão gelado”; “tem que pagar o preço”.

IV - “ESPÍRITO DE ADIVINHAÇÃO É DIABÓLICO” é o que dizemos crer, mas vivemos praticando isso nas igrejas, dentro dos templos e durante os cultos!
- Olha só a cara do pastor. Deve ter brigado com a esposa.
- A irmã Fulana não tomou a ceia. Deve estar em pecado.
- Olha o irmão no boteco. Deve estar bebendo...
- Olha só o jeito que a irmã ora. É só para se amostrar...
- Olha a irmã lá pegando carona no carro do irmão. Hum, aí tem...

V - “DEUS USA QUEM ELE QUER” é o que dizemos. Mas também dizemos: Deus não pode usar quem está em pecado; Deus não usa ‘vaso sujo’; “Como é que Deus vai usar uma pessoa cheia de maquiagem, parecendo uma prostituta?”.

VI - “DEUS ABOMINA A IDOLATRIA” dizemos. Mas esquecemos que idolatria é tudo o que se torna o objeto principal de nossa preocupação, lealdade, serviço ou prazer. Como renda, bens, futebol, sexo ou qualquer outra coisa. A questão é: quem ou o quê regula o meu comportamento? Deus ou um substituto? Há até muitas esposas, por exemplo, que oram pela conversão do marido ao ponto disso tornoar-se numa obsessão idolátrica: “Tenho que servir bem a Deus, para ele converter meu marido”; “Não posso deixar de ir a igreja senão Deus não salva meu marido”; “Preciso orar pelo meu marido, jejuar pelo meu marido, fazer campanhas pelo meu marido, deixar de pecar pelo meu marido”. Ou seja, a conversão do marido tornou-se o objetivo final e Deus apenas o meio para alcançar esse objetivo. E isso também é idolatria.

VII - A BÍBLIA É A ÚNICA REGRA DE FÉ E PRÁTICA CRISTÃS
...Eu sei que a Bíblia diz, mas o Estatuto da Igreja rege...
... Eu sei que a Bíblia diz, mas nossa denominação não entende assim
... Eu sei que a Bíblia diz, mas a profeta revelou que é assim que tem que ser
... Eu sei que a Bíblia diz, mas o homem de Deus teve um sonho...
...Eu sei que a Bíblia diz, mas isso é coisa do passado...

VIII - DEUS ME DEU ESTA BENÇÃO!
...mas eu paguei o preço.
...mas eu fiz por onde merecê-la.
...mas não posso dividir com você porque posso estar interferindo na vontade de Deus. Vai que Ele não quer que você tenha... Se você quiser, pague o preço como eu paguei.

IX - NÃO SE DEVE JULGAR PELAS APARÊNCIAS. AS APARÊNCIAS ENGANAM – mas frequentemente nos deixamos levar por elas para emitirmos nossos juízos acerca dos outros. Julgamos pela roupa, pelo corte de cabelo, pelo tamanho da saia, pelo tipo de maquiagem (ou a falta dela), pelo jeito de andar, de falar, pelo aperto de mão, pela procedência. Frequentemente, repito: frequentemente falamos ou ouvimos alguém falar: “Nossa! Como você é diferente do que eu imaginava. Minha primeira impressão era de que você era outro tipo de pessoa”.

X - A SANTIFICAÇÃO É UM PROCESSO DE DENTRO PARA FORA (é o que dizemos) – na prática não basta ser santo, tem que parecer santo. Se a tal ‘santificação’ não se manifestar logo em um comportamento pré-estabelecido, num jeito de falar, andar, vestir e de se comportar é porque o sujeito não se ‘converteu de verdade’

Artigo original no genizah

A PARÁBOLA DO HOMEM QUE CURA


Muitos anos atrás, um bebê nasceu numa pequena cidade mexicana de Hopi. O povo da cidade tinha esperado aquele nascimento com muito interesse, uma vez que o bisavô era irlandês, e a bisavó, negra; o avô era mexicano, e a avó, crioula; o pai era meio-índio, e a mãe, espanhola. O pequeno bebê tinha uma ascendência bastante mestiça e, por conseguinte, uma cor engraçada: uma mistura de branco e ouro, caramelo e café, não sabendo como chamá-lo, seus pais, por fim, lhe deram o nome de Willie. Logo após o nascimento, ele sofreu de pólio e ficou parcialmente paralisado do lado esquerdo.
Willie aprendeu cedo que as crianças podem ser muito cruéis com o que não compreendem. Na escola, riam de sua cor maluca, puxavam seu cabelo de cor ocre e, as vezes, chutavam sua perna coxa. Quando as crianças brincavam de cabo-de-guerra na festa da igreja, os colegas de sua equipe soltavam repentinamente a corda de form que só Willie era arrastado para a poça de lama. Mais tarde, na corrida de carrinho de mão, seu parceiro jogou Willie numa espinheira de pontas muito afiadas.
Naquela noite, a mãe de Willie deu-lhe um banho depois de ter retirado todos os espinhos e esfregou o corpo dolorido com um calmante óleo de babosa. Conforme ele adormecia, a mãe o acariciava com ternura e lhe falava mais uma vez, como fizera tantas vezes antes, sobre o grande El Shaddai e seu amor pelas criancinhas, como elas corriam para ele e nunca o queriam deixar.
Como o grande dia da festa religiosa se aproximava, Willie trabalhou duro em sua tarefa de alimentar Macho, o jumento do vilarejo, para juntar dinheiro. Na noite a festa, ele coxeou ansiosamente para a praça da vila onde todos estavam reunidos para a celebração. Os olhos dançavam enquanto via as barracas de algodão-doce, as belas senhoras em saias rodadas arqueadas, os cavalos do carrossel num sobe e desce, os sombreiros enfeitados dos homens, usados somente uma vez por ano, o palhaço colorido no terno listrado fazendo graça.
Willie estava perambulando, decidindo como gastar suas magras economias (se numa tortilla ou num tamale), quando seus olhos se depararam com uma velha carroça de madeira. Em um letreiro pendurado se lia: “o grande show dos remédios”. Quando Willie cautelosamente se aproximou, de repente o coração subiu pela garganta. Um homem alto, magro, ossudo, apeou da carroça, estendeu seus braços e preparou-se para falar.
Foi quando ele olhou diretamente para Willie. Sua face era castigada pelo sol, mas que olhos! Eles eram tristes, porém tão penetrantes, suaves e amáveis. O coração de Willie lhe disse imediatamente quem era esse homem. “É El Shaddai”, gritou Willie. O homem que cura sorriu. Sua face resplandeceu como um raio de sol e seus olhos dançaram alegremente.
– Aqui, irmãozinho – disse o homem.
Ele deu a Willie uma garrafa cheia de um liquido laranja brilhante.
– Esfregue três gotas sobre o coração toda noite, e coisas maravilhosas aconteceram a você.
Willie mexeu em seu bolso, pronto para oferecer tudo o que tinha por aquela garrafa, mas o homem disse:
– O que recebi gratuitamente, devo dar gratuitamente.
O homem sentou-se na carroça. Willie aproximou-se e timidamente perguntou:
– O conteúdo da garrafa vai endireitar a minha perna torta, senhor, e fazer minhas manchas desaparecerem?
O homem que cura o pegou e sentou sobre os joelhos. Willie agora estava assustado. Ele tinha medo de que o homem, quando visse sua pele de perto, risse como faziam todos os aldeões que o haviam apelidado de “Truta Malhada”.
Willie não estava preparado para o que aconteceria a seguir. O homem abraçou a cabeça do menino ao encontro do próprio coração. Ali estava tão quente e calmo que Willie pensou na lareira da sala da pequena casa onde vivia. Então sentiu gotas de chuva em sua cabeça e levantou os olhos para ver as lagrimas de compaixão caindo dos olhos do homem. Willie pensou imediatamente em sua mãe. Mas, até mesmo por ela, o menino nunca havia sido amado assim antes.
– Irmãozinho, qual é o seu nome?
– Willie.
A cabeça do menino de forma alguma se desgrudava do peito do homem, e ele ainda apertava a garrafa na mão.
– O meu remédio é tão poderoso, Willie, que não somente vai endireitar sua perna, mas endireitará todos os caminhos sinuosos e todos os corações tortuosos. Cada vale de dor será aterrado e cada montanha de orgulho, aplainada, e toda a humanidade verá a salvação de Deus.
Ele tocou o cabelo cor de ocre de Willie e o beijou levemente na testa.
– Você gostaria de compartilhar meu jantar comigo, Willie?
Em toda a sua vida, ninguém jamais havia convidado Willie para jantar. Na verdade, ninguém, a não ser sua mãe e seu pai, o chamara alguma vez para compartilhar coisa alguma. Sentimentos que Willie jamais soubera que existiam brotaram do seu coração. Todos o haviam empurrado para seu isolamento mais e mais profundo. Mas o homem quis compartilhar sua refeição com ele. E Willie partilhava de sua companhia com alegria. Pegou todo o dinheiro do bolso.
– Eu comprarei a sobremesa – anunciou Willie com satisfação. – Sorvete de limão, algodão-doce e biscoitos dente-de-leão!
Os dois comeram com prazer. Willie falou sem parar e o homem o ouviu em silêncio. Willie contou sobre o pai e a mãe, como a escola era dura, como ele desejava ter um amigo. Ele, então, encarou-o firme com seus olhos tristes e suaves, e teve coragem suficiente para perguntar:
– Você seria meu amigo, senhor?
– Eu sou seu amigo – respondeu o homem que cura.
Inesperadamente, uma sensação de frio tomou conta do coração de Willie. Ele nunca tivera um amigo. E se ele não soubesse como ser um amigo? O homem era tão generoso e bom, tão gentil e amoroso. “Com certeza, vou fracassar e ai perderei o único amigo que já tive”, pensou Willie.
– Oh, senhor – o menino pediu em seu medo –, por favor, me diga o que significa ser um amigo! Eu quero tanto aprender.
– Não aflija seu coração, irmãozinho. Eu lhe direi o tipo de amigo que sou e, então, você poderá decidir por si mesmo que tipo gostaria de ser. Willie, se eu lhe disser palavras bonitas, capazes de fazer você se sentir importante, mas não amá-lo, não serei seu amigo. Se eu compartilhar meu conhecimento com você, de forma que compreenda todos os mistérios do universo, mas não amá-lo, não serei de forma alguma seu amigo. Se eu der toda a minha comida para alimentar a sua família e cuidar de todas as suas necessidades, mas não amá-lo, não serei seu amigo.
O homem continuou:
– Irmãozinho, serei sempre paciente com você. Serei sempre gentil com você. Nunca sentirei ciúmes de seus outros amigos. Embora eu seja o único filho de meu pai, nunca tentarei ser superior. Nunca serei esnobe, nem rude. Não vou tirar vantagem de você para conseguir o que quiser. Não me irritarei a toa. Não ficarei chocado quando você me desapontar. Não me alegrarei com os seus erros, mas ficarei feliz quando você for sincero consigo. Não existe limite para o meu perdão, para aminha confiança e esperança em você, para a minha capacidade de suportar todas as provas de amizade em relação a você.
E o homem disse mais:
– Willie, ouça com atenção agora. Nunca trairei sua confiança. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará, mas eu não o esquecerei. Jamais deixarei de ser seu amigo. Irmãozinho, talvez sua memória não seja tão boa. Se você esquecer tudo, não esqueça de que há três coisas duradouras na amizade: fé, esperança e amor. E a maior delas é o amor.
Willie ouviu atentamente.
– É tão bonito, senhor – disse, balançando a cabeça. – Mas tenho medo de nunca poder ser um amigo assim. Sou muito fraco, muito feio, muito mal-humorado, muito bobo.
– Por isso lhe dei meu elixir especial, irmãozinho. Esfregue três gotas em sue coração toda noite. A primeira gota chama-se “perdão”, a segunda, “aceitação”, e a terceira, “alegria”. Faça isso e saiba que será abençoado.
Então o homem abriu seu sorriso mais amoroso e partiu. Willie correu, saltou, pulou e dançou durante todo o caminho de casa. Quando chegou, foi para seu quarto, fechou a porta e se ajoelhou ao lado da cama. Abriu a garrafa e começou a esfregar a primeira gota, o perdão para os outros, em seu coração. Era muito doloroso, pois as outras crianças o haviam magoado profundamente.
Mas logo uma coisa maravilhosa aconteceu: Willie tornara-se tão aberto pela amizade do homem que as gotas de liquido laranja não repousaram sobre o peito – na verdade, entraram em seu coração. O que normalmente levaria anos para o Espírito do homem que cura operar num coração comum aconteceu num instante no coração aberto, inocente e transparente de Willie. Toda angústia a respeito de sua perna, das grandes manchas tudo desapareceu. E Willie começou a orar alto:
– Oh, El Shaddai, meu amigo, não me deixe. Você pode pedir qualquer coisa de mim. Tudo o que desejo é você. Apenas ande a meu lado, segurando a minha mão, em razão de nossa amizade e da alegria de estarmos juntos. Mesmo que você me faça passar por uma provação a respeito da cura da minha perna e das grandes manchas, não me importarei. Ficarei contente em ser uma Truta Malhada, se apenas você estiver comigo. Lembro-me do que você disse ser o mais importante. Eu o amo, meu amigo. Faça aquilo que você quiser. Somente não me abandone. E nunca permita que eu o abandone.
Veja, depois que o Espírito do homem que cura entrou no coração de Willie e percorreu seu ser, os olhos foram abertos para perceber quanto a vida seria vazia sem seu amigo. Esse pensamento de tal modo abalou sua mente e intimidou seu coração que Willie nunca mais foi o mesmo. Mas também lhe abriu os olhos para ver que, no fundo de seu coração, ele tinha de fato somente um desejo ardente, não pelas coisas que o novo amigo havia prometido, mas pelo próprio homem que cura.

MANNING, Brennan. Convite à Loucura. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2007.